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Adeus José. Agora podes dormir descansado!

Já era tarde, José, andava descalço pelas ruas de Lisboa em busca de algo para comer, talvez tivesse a sorte de se encontrar com a carrinha que transportava os voluntários, mais propriamente os “Anjos da Noite”, que costumavam fazer a ronda pelas ruas e levar uma sopa quente pela noite calada a centenas de sem abrigos.

José, não gostava de falar muito. Discreto e tímido, lá ia ele, encostado às paredes das avenidas, em busca de mais um contentor de lixo, podia ser que esse contentor lhe trouxera algo comestível do própria dia, algo que alguém se fartou e deitou ao lixo, ou então talvez lhe trouxera o que a maior parte dos contentores lhe dera quase sempre, apenas lixo.

José, podia ser chamado de o “Homem Invisível” como tantos e tantos sem abrigos que existem por este nosso País. De fato, todos aqueles que passavam por ele, era como se não existisse, nem um bom dia lhe dirigiam, nem um breve olhar, era apenas o José, de barba grande e amarela, de olhar envergonhado, era apenas mais um sem abrigo.

Talvez o José não se importara muito com isso. Mas a verdade é que o José era um ser humano, igual a todos nós, com sonhos, arrancados por um sistema que lhe roubara a vida, a identidade, a sua personalidade, a sua essência como pessoa, um sistema que lhe levou a esperança de uma vida melhor, José acabara por perder os documentos, ninguém podia fazer nada, José era sem abrigo e assim se tinha que sujeitar o resto da vida.

Um sistema que é pago por todos nós. Um sistema que tem no poder quem tome decisões importantes. Que pode fazer leis. Que pode olhar para o José e milhares de Josés por este País fora.

Ao José, fora-lhe roubado um sonho. Não, o José não tinha ninguém. A família abandonara-o à sua sorte. Há famílias assim. Triste mas é verdade. José não bebia. José não fumava. Dizia que era contra produtos tóxicos para a saúde. Mas era católico. Terço ao pescoço. Pai nosso sempre nas suas caminhadas. José era assim, simples, tímido, mas era o José, o sem abrigo, aquele agarrado à sua fé.

Por vezes lera o Jornal do dia quando se sentava na esplanada de um café onde dormira ali perto. A bica era oferta da casa. Sim, o José sabia ler. Pessoa culta. Veterano de Guerra, que jurou perante a Bandeira Portuguesa, defender a sua pátria. Pátria essa que olhara para José como apenas mais um, mais um sem abrigo. Pátria essa manipulada pelo sistema. Mas José cansara-se. José não era o mesmo.

Pelas ruas da noite calada, José iria de encontro aos seus aposentos, mais um dia sem nada, mais um dia para José, o Homem Invisível ou o Homem do Lixo como muitos lhes chamam, aos sem abrigos.

José foi dormir no seu “quarto”, com vista para o futuro, com esperança no amanhã e por falar no amanhã, José teria de acordar cedo para não incomodar quem passara no passeio. José era uma pessoa educada. José foi dormir.

Um dia o José não acordou mais. Morreu de sorriso no rosto. Depois de tantos e tantos dias deitado sem darem por ele.

Já viste José? Não incomodavas ninguém. Podias ter dormido sempre até mais tarde.

Adeus José...

Mário Gonçalves


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